APPA CONCLUI PROJETOS TÉCNICOS PARA RESTAURO DA CÂMERASETE


Trabalho técnico reúne informações essenciais para viabilizar a preservação e a continuidade do uso cultural do espaço

A APPA concluiu o conjunto de estudos, projetos e documentos técnicos elaborados para orientar a futura restauração da CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais, localizada ao lado da Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte. O trabalho reuniu diagnóstico do imóvel, pesquisa histórica, projetos básicos e executivos, orçamento e planejamento da futura obra.

O imóvel é protegido pelo patrimônio municipal desde 1994. Em uma edificação tombada e aberta ao público, projetar uma intervenção exige conhecer sua estrutura, identificar danos e considerar as necessidades atuais de funcionamento, segurança e acessibilidade sem descaracterizar os elementos que justificam sua preservação.

Executado entre outubro de 2025 e agosto de 2026, o projeto foi contemplado pela Plataforma Semente. A entrega reúne as informações e soluções necessárias para as intervenções de restauro.

Da agência bancária à Casa da Fotografia


Projetado em 1925 e inaugurado no ano seguinte, o edifício foi construído para abrigar uma agência do Banco do Brasil. Ao longo do tempo, passou por intervenções que modificaram seus espaços internos.

Em 1997, o imóvel passou a abrigar o Centro Cultural do Instituto Moreira Salles. Mais tarde, tornou-se sede da CâmeraSete, a Casa da Fotografia de Minas Gerais.

Atualmente, o equipamento é gerido pela Fundação Clóvis Salgado e integra o Circuito Liberdade. Seus 275 metros quadrados são dedicados a exposições de fotografia contemporânea, com programação aberta ao público e trabalhos de artistas brasileiros e estrangeiros.

As diferentes ocupações e reformas também fazem parte da trajetória do edifício. A pesquisa histórica ajuda a compreender as camadas que se acumularam ao longo do tempo e a avaliar quais elementos devem ser preservados, recuperados ou adaptados ao uso atual.

Conhecer, projetar e planejar

O trabalho foi desenvolvido em três etapas, partindo do conhecimento detalhado do imóvel até a preparação da futura obra. Primeiro, foram reunidas informações sobre sua história, suas características arquitetônicas e seu estado de conservação. 

Em seguida, foram elaborados os projetos de arquitetura e engenharia, acompanhados de modelagem tridimensional da proposta. 

A etapa final reuniu o detalhamento executivo, a compatibilização dos projetos, o orçamento, o planejamento da obra e a documentação necessária para aprovação junto aos órgãos competentes.

Com as soluções organizadas em um conjunto coordenado, torna-se possível identificar e corrigir possíveis interferências entre arquitetura, estrutura e instalações antes do início das obras.

Uma base para a futura obra

O conjunto entregue permite dimensionar as intervenções necessárias, estimar custos e prazos e organizar uma futura contratação com informações mais precisas. Também ajuda a reduzir alterações durante a execução e a planejar soluções relacionadas à acessibilidade, à segurança e ao funcionamento do espaço cultural.

Responsável pela realização e gestão do projeto, a APPA coordenou a atuação da equipe técnica especializada, a interlocução entre os parceiros e o acompanhamento das entregas. O trabalho mobiliza a experiência acumulada pela organização em mais de 30 anos de gestão de projetos culturais e de preservação do patrimônio.

“Um projeto de restauro demanda decisões que começam muito antes da obra. Ao concluir os diagnósticos, projetos e orçamento, entregamos uma base concreta para que a CâmeraSete possa avançar sem perder de vista sua história e o uso público do edifício”, afirma Xavier Vieira, presidente da APPA.

Com a documentação técnica concluída, uma nova etapa poderá ser estruturada a partir do conhecimento reunido sobre o imóvel e das soluções já desenvolvidas.

Preservar a CâmeraSete significa manter, no centro de Belo Horizonte, um edifício histórico em atividade e um espaço dedicado à circulação da fotografia e à formação de novos olhares.

Um modelo digital para orientar decisões

O volume de informações e as variáveis levantadas durante o projeto foi organizado com o uso do BIM, sigla em inglês para Building Information Modeling. A metodologia reúne dados de arquitetura, estrutura e instalações em um modelo digital compartilhado.

Esse modelo vai além de uma representação tridimensional do edifício e permite visualizar soluções, identificar incompatibilidades entre disciplinas, registrar as condições encontradas e corrigir conflitos ainda durante o desenvolvimento dos projetos.

Na CâmeraSete, foi adotado o HBIM, sigla de Historic Building Information Modeling, aplicação da metodologia voltada a edificações históricas. Além das informações técnicas, o modelo pode incorporar dados sobre materiais, sistemas construtivos, danos e transformações ocorridas no imóvel.

O uso da tecnologia, no entanto, depende do trabalho realizado nas etapas anteriores. É a pesquisa histórica, associada ao levantamento arquitetônico e à análise do estado de conservação, que oferece os critérios necessários para a modelagem e para as decisões de projeto.

“Em um projeto de restauro, a modelagem não parte de uma folha em branco. Ela precisa representar o que existe, registrar as transformações do edifício e reunir as soluções das diferentes disciplinas. Essa compatibilização reduz conflitos e dá mais segurança às decisões que serão tomadas durante a obra”, afirma Samara Amâncio, coordenadora do projeto.

Sobre a APPA

Sediada em Belo Horizonte, a APPA – Cultura & Patrimônio atua há mais de 30 anos na viabilização, estruturação e execução de projetos culturais, patrimoniais e ambientais, conectando pessoas, empresas, poder público e territórios em diferentes regiões do Brasil. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu, gerenciou e executou mais de 260 projetos por meio de mecanismos de financiamento cultural, como leis de incentivo e fundos culturais. 

Em 2025, foi reconhecida como a 11ª maior captadora de recursos culturais do país. A instituição mantém relações estratégicas com atuação em seis estados brasileiros e sete países, desenvolvendo iniciativas ligadas à preservação do patrimônio, formação, memória, sustentabilidade e desenvolvimento territorial. 

Texto: Thaisa Spósito

Fotos: Luan Martins

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