Playlist com as canções carnavalescas foram apresentadas ao público na Sala Juvenal Dias, no Palácio das Artes
Oh, Minas Gerais; Oh, Minas Gerais, quem conhece teu Carnaval não esquece jamais.
O Carnaval e a cidade são do povo, como o céu é do avião. A trilha sonora também e, em 2025, no “Carnaval da Liberdade”, em Belo Horizonte; no “Carnaval da Tranquilidade”, no interior e no misto quente dos dois, o Carnaval nas Cidades Históricas, isso está provado, gravado e eternizado.
Em mais uma manhã escaldante de Belo Horizonte, dia 26 de fevereiro, na Sala Juvenal Dias, Palácio das Artes, foi lançado oficial e informalmente, mas com muita emoção, o inédito projeto “Trilhas do Carnaval 2025”.
Agora nosso Carnaval tem sua própria trilha sonora. O que era brincadeira e folia tornou-se profissional, sem perder a espontaneidade. O projeto “Trilhas do Carnaval”, coordenado pelo músico Henrique Portugal (tecladista do Skank), em “operação de guerra”, gravou e lançou álbum inédito com músicas autorais de 15 blocos carnavalescos da cidade.
O Carnaval é do povo, mas com o auxílio luxuoso do Governo de Minas, através da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult/MG), ganhou o Brasil e já está entre os maiores e melhores.
“A música é a alma do Carnaval e, com este projeto, valorizamos a produção autoral dos blocos e de seus compositores. O Carnaval de Belo Horizonte se diferencia pela criatividade. ‘Trilhas do Carnaval’ chega para registrar essa identidade musical, levando nossa folia para além das ruas e eternizando-a em plataformas digitais”, destaca o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas de Oliveira.
Os coletivos foram selecionados no Edital 01/2025, “Trilhas do Carnaval”, do Instituto Cultural Aurum, em parceria com Uno Music e Fundação Clóvis Salgado, teve patrocínio da Cemig e da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge).
Para o presidente da Fundação Clóvis Salgado (FCS), Sérgio Rodrigo Reis, “a ideia apareceu na Fundação no ano passado, mas já existia anteriormente. Conversando com pessoas que faziam o Carnaval, percebemos que já tínhamos a parte técnica, mas a música que cantávamos e ouvíamos no Carnaval não era nossa. Então, se a gente não se organizasse, não seríamos ouvidos nunca. Foi esse o esforço que tivemos aqui para culminar na gravação das ‘Trilhas do Carnaval’. Esse é um momento mais que especial, quando finalmente damos voz aos nossos artistas, reunindo uma diversidade de estilos”.
“O projeto vem em parceria com o Governo do Estado, CEMIG, Codemge e Fundação Clóvis Salgado para potencializar o Carnaval de Minas Gerais. Para nós, é muito importante estar aqui, hoje, divulgando esse trabalho. Elas serão divulgadas e esperamos que as músicas reverberem, e que, nos próximos anos, possamos continuar com esse projeto tão importante para o registro da memória”, declarou Henrique Perdigão, diretor Financeiro do Instituto Cultural Aurum
O projeto integra o calendário do Governo de Minas para o Carnaval da Liberdade 2025 e o AMA – Ano Mineiro das Artes, programa da Secult. A ação, parte da programação do “Carnaval Via das Artes 2025”, resgata, registra e promove essas canções que são a essência do carnaval da capital mineira.
Minas Gerais é o coração e o caldeirão cultural do Brasil, o que ficou provado nas declarações – em vídeo – dos blocos Românticos São Loucos, Odilara, Pisa na Fulô, Magia Negra, Bloco do Sebá, Abre Que Tô Passanú, Seu Vizinho, Bloco da Cinara, Todo Mundo Cabe no Mundo, Afoxé Bandarerê, Baque de Mina e Volta Belchior. Além desses, os blocos Baianas Ozadas, Juventude Bronzeada e Seu Vizinho, que já tinham seus hits gravados, integram a “playlist” do projeto.
Para os blocos, a brincadeira “ficou séria”, palpável. “O Carnaval de BH agora tem cara. ‘Trilhas’ é a cara não só do carnaval, mas de shows o ano inteiro”. Cara de Minas e alquimia do Brasil, com claras influências que vão “do Rio São Francisco ao Rio de Janeiro”. Carnaval que chama os “síndicos” Tim Maia, Luiz Melodia e Belchior. Convoca todos os ritmos do Brasil: do axé e pagodão baiano ao forró e o berço da festa, o samba carioca com o certeiro DNA afro brasileiro. É carnaval 100% mineiro, de Norte a Sul, tipo exportação, para o Nordeste e todo o Brasil. Enfim, juntos!
Carnaval ainda que tardio
Para Henrique Portugal, diretor artístico do “Trilhas do Carnaval”, emoção e razão fizeram belo casamento: “quando vi o carnaval de Belo Horizonte explodindo, pensei que precisávamos ter um legado e continuidade. O palco é apenas uma parte das artes, mas quando gravamos essas músicas, estamos falando de patrimônio. Para o ‘Trilhas do Carnaval’, foi feito um edital para que a seleção dos blocos fosse realizada de forma transparente. A partir disso, tivemos que separar três estúdios, gravando simultaneamente, para que fizéssemos essa entrega hoje. No ano que vem, a previsão é que isso seja feito no dia 1º de janeiro, para que o público já conheça as músicas antes do carnaval”.
Para finalizar, segundo o criador e cantor do bloco Baianas Ozadas, o ousado baiano Geo Ozada, “é muito gratificante, um grande passo, fortalecimento, crescimento, reconhecimento e afirmação do Carnaval de rua de Belo Horizonte. Mas qual é a identidade desse Carnaval? É isso que a gente coloca à prova neste registro. Espero muito, enquanto baiano de nascença que hoje contribui para o Carnaval de BH e de Minas, ver cada vez mais os valores de Minas, as nossas raízes afro-mineiras, principalmente o Congado, os reisados, o tambor de Minas, a música harmoniosa do Clube da Esquina, o rock mineiro, com muita identidade, do Skank, Pato Fu, Jota Quest… Todas essas referências exaltadas e conquistando espaço nessa identidade do Carnaval mineiro, sendo construída”
Além de garantirem a gravação profissional das músicas que embalam a folia nas avenidas, os blocos terão seus hits disponibilizados nas diversas plataformas de streaming, rádios e nas principais avenidas de Belo Horizonte (Amazonas, Andradas e Brasil), que serão sonorizadas na festividade e integram o inovador projeto “Via das Artes”, que transforma as três avenidas em palcos e galerias de arte a céu aberto, oferecendo uma programação cultural diversificada e acessível.
O lançamento de “Trilhas do Carnaval” terminou com os participantes cantando, no palco da Sala Juvenal Dias, o quase hino mineiro, “Oh, Minas Gerais, Oh, Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais. Oh, Minas Gerais, eu sair da minha terra, pra não voltar nunca mais.
Por feliz ironia, a canção “Oh, Minas Gerais” é uma adaptação da valsa italiana, “Viene sul mare” (Vem ao mar). Mar de Minas, magia de Minas, trilhas de Carnaval nas Ilhas da Fantasia.
Texto: Fundação Clóvis Salgado