Com concepção e coreografia de Henrique Rodovalho, espetáculo aborda o feminicídio a partir de quatro casais e suas histórias, apresentando o começo das relações e seus desmembramentos
Espetáculo “Poderia Ser Rosa”
Data: 18 de março (terça-feira)
Horário: 19h
Local: Centro Cultural TRT
(R. da Bahia, 112 – Centro, Belo Horizonte)
Classificação indicativa: 14 anos
Entrada gratuita, com retirada de ingressos pela plataforma Sympla até o dia 18/03
Suscitado pelo crescente número de mulheres assassinadas na região do Anel Rodoviário de Belo Horizonte no final da década de 1990, o espetáculo “Poderia ser Rosa”, da Cia de Dança Palácio das Artes, estreou em 2001. Mais de 20 anos depois, a violência contra as mulheres segue sendo um tema urgente na sociedade brasileira. Dados do 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que os crimes motivados por gênero cresceram em 2023, quando comparados ao ano anterior. É o caso das tentativas de feminicídio, que subiram 7,1%, e também das lesões corporais em contexto de violência doméstica, cujos registros aumentaram quase 10%. É neste quadro alarmante que a Cia de Dança Palácio das Artes (CDPA) apresenta, no Centro Cultural do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), região central de Belo Horizonte, uma nova versão de “Poderia ser Rosa”. Com coreografia novamente assinada por Henrique Rodovalho, o espetáculo será encenado no dia 18 de março (terça-feira), a partir das 19h, com retirada de ingressos gratuitos pela plataforma Sympla. A classificação indicativa é de 14 anos. A apresentação contém cenas que simulam violência.
“Poderia ser Rosa” aborda frontalmente o feminicídio a partir de quatro casais e suas histórias, que apresentam o começo e o fim das relações. Em um país que registrou uma média de quatro feminicídios por dia em 2023, Henrique Rodovalho revisita sua criação e concebe de forma mais abrangente o tema da violência contra a mulher. Aliando sensibilidade e intensidade, o espetáculo assume seu caráter de denúncia como papel ativo no combate à violência de gênero.
O espetáculo ”Poderia Ser Rosa” é realizado pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Governo Federal, Brasil: União e Reconstrução. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo FrediZak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e da ArcelorMittal, Patrocínio da Vivo e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade, que reúne 35 equipamentos com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo.
Reflexões sempre necessárias – O Centro Cultural do TRT-MG, localizado em frente à Praça Rui Barbosa, foi inaugurado em agosto de 2023, e desde então já recebeu concertos do Coral Lírico e da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, bem como uma apresentação do espetáculo “(in)tensões”, outro clássico do repertório da CDPA. Sônia Pedroso, diretora da Cia de Dança Palácio das Artes, reforça a importância da nova versão de “Poderia Ser Rosa”ser encenada neste espaço, recentemente incorporado ao roteiro cultural da cidade. “É muito importante a apresentação, em locais diversos como o Centro Cultural do TRT, da obra ‘Poderia Ser Rosa’, que depois de muitos anos foi adaptada pelo Henrique Rodovalho com um novo olhar. Acreditamos ser de suma necessidade falar sobre esse tema e incitar essa conscientização, para que as mulheres possam se libertar desses ciclos de violência. É uma alerta o que estamos propondo através da nossa arte”, afirma.
Quando o feminino se movimenta – Dono de um estilo que retrata imagens do cotidiano brasileiro com uma movimentação específica, Henrique Rodovalho foi convidado a criar a coreografia de “Poderia ser Rosa” em 2001, e em 2023, duas décadas depois, foi chamado novamente para a remontagem. Na ocasião, o coreógrafo destacou os desafios de se adaptar o espetáculo para um contexto diferente, mas que ainda impõe imensos desafios. “Na época, o conceito final se deu no sentido de tratar questões psicológicas e procedimentos desse assassino em série que estava matando mulheres, a partir de personagens que foram desenvolvidos e também de movimentos/gestos coreografados. Foram captados vários depoimentos de mulheres sobre o assunto e esse material foi utilizado na linha narrativa do espetáculo. Quando agora houve a proposta de resgatar essa obra, uma grande questão foi apresentada: como trazer esse triste assunto de novo, mas dialogando, de alguma forma, com o que acontece hoje?”, explicou.
Foi então que surgiu a proposta de tratar o feminicídio a partir das histórias de quatro casais. Os duos começam com uma dinâmica de relação e movimentos mais suaves e tranquilos, indo depois para momentos e movimentações mais tensas e agressivas. “O que se percebe estatisticamente é o aumento de feminicídios, praticados principalmente por companheiros ou pessoas próximas da família. Sendo assim, o que era para ser uma simples remontagem demandou uma análise mais cuidadosa, surgindo a necessidade de se repensar a obra para a construção de um olhar atual. Por isso, foi solicitado ao elenco feminino da Cia de Dança Palácio das Artes que colocasse nesse trabalho todo o olhar delas acerca do tema, que toca direta e principalmente as mulheres. Assim, o protagonismo dessa nova obra é delas, para tentar buscar formas de respostas, além de um pensamento e atos mais sensíveis de acolhimento sobre essa delicada questão. Tentar, enfim, contribuir para que tenhamos um mundo mais generoso e feminino”, ressaltou, quando da reestreia do espetáculo, em 2023.
HENRIQUE RODOVALHO – Com formação em artes marciais e Educação Física pela Escola Superior de Educação Física e Fisioterapia de Goiás, atuou como ator e bailarino antes de 1988, quando iniciou sua carreira como coreógrafo, sendo reconhecido por seu trabalho como residente da Quasar Cia de Dança e por seu estilo de movimentação em dança, que trabalha a segmentação do corpo. Rodovalho se interessa pela expressão do corpo desde criança, com influência vinda do cinema e da televisão. Foi aluno do professor e coreógrafo Julson Henrique (1953-1993), e dançou junto de outros coreógrafos como Regina Sauer (1957) e Rainer Vianna (1958-1995). Desde 1988, ano de criação da Quasar Cia de Dança, Rodovalho é coreógrafo do grupo, a convite da bailarina Vera Bicalho (1963). Em 1994, a companhia independente estreia Versus, responsável pela projeção internacional do coreógrafo e do grupo. Seguiram-se os espetáculos Divíduo (1998), Coreografia Para Ouvir (1999) e Mulheres (2000). Em 2018, Rodovalho cria Melhor Único Dia, seu segundo espetáculo para a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) – premiado pela comissão de dança da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) na categoria espetáculo (estreia) –, no qual mantém seu estilo de movimentação, replicado em conjunto. Em 2020, torna-se coreógrafo residente da SPCD, participando de recriações de obras do repertório da Quasar, além de novas produções. Internacionalmente premiado por seu estilo autoral de coreografia, Henrique Rodovalho tem papel fundamental na dança de sua geração, por meio de sua produção na Quasar Cia de Dança, e como convidado em diversos outros grupos, no Brasil e em países como México, Portugal e Holanda.
CIA DE DANÇA PALÁCIO DAS ARTES – Reconhecida como uma das mais importantes companhias do Brasil, é uma das referências na história da dança em Minas Gerais. Foi o primeiro grupo a ser institucionalizado, durante o governo de Israel Pinheiro, em 1971, com a incorporação dos integrantes do Ballet de Minas Gerais e da Escola de Dança, ambos dirigidos por Carlos Leite – que profissionalizou e projetou a Companhia nacionalmente. O Grupo desenvolve hoje um repertório próprio de dança contemporânea e se integra aos outros corpos artísticos da Fundação – Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Coral Lírico de Minas Gerais – em produções operísticas e espetáculos cênico-musicais realizados pela Instituição ou em parceria com artistas brasileiros. A Companhia tem a pesquisa, a investigação, a diversidade de intérpretes, a cocriação dos bailarinos e a transdisciplinaridade como pilares de sua produção artística. Seus espetáculos estimulam o pensamento crítico e reflexivo em torno das questões contemporâneas, caracterizando-se pelo diálogo entre a tradição e a inovação.
FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO – Com a missão de fomentar a criação, formação, produção e difusão da arte e da cultura no estado, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música erudita e popular, ópera e teatro constituem alguns dos campos onde se desenvolvem as inúmeras atividades oferecidas aos visitantes do Palácio das Artes, CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais – e Serraria Souza Pinto, espaços geridos pela FCS. A Instituição é responsável também pela gestão dos corpos artísticos – Cia de Dança Palácio das Artes, Coral Lírico de Minas Gerais e Orquestra Sinfônica de Minas Gerais –, do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart). A Fundação Clóvis Salgado é responsável, ainda, pela gestão do Circuito Liberdade, do qual fazem parte o Palácio das Artes e a CâmeraSete, entre outros diversos equipamentos. Em 2021, quando celebrou 50 anos, a FCS ampliou sua atuação em plataformas virtuais, disponibilizando sua programação para público amplo e variado. O conjunto dessas atividades fortalece seu caráter público, sendo um espaço de todos e para todos.
Texto: Fundação Clóvis Salgado